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BR Portais - Projeto Professores 2008/2009

Redução em impostos para professores

12/01/2009, 17h35

Thomas L. Friedman
From The New York Times


Pelos próximos anos, dois países muito grandes, Estados Unidos e China, darão à luz algo muito importante. Cada um deles dará à luz um incentivo econômico no valor de aproximadamente US$1 trilhão - na forma de redução de impostos, infra-estrutura, rodovias, transporte público e novos sistemas de energia. Mas há um risco envolvido nestes dois bebês. Se cada um, China e Estados Unidos, der à luz um porco - um porco de incentivo grande, devorador de energia e destruidor do meio ambiente - nossas crianças estarão ferradas. Será o peso das suas vidas. Se cada um der à luz uma gazela - um incentivo enxuto, eficiente em energia e pró-inovação - será a oportunidade das suas vidas.

Então há esperança de que nossa nova administração e que o Congresso serão orientados a formatar o incentivo através da leitura de John Maynard Keynes em uma mão - para conseguir o máximo de injeção de dinheiro, o mais rápido possível - e através da leitura de Rising above the gathering storm: energizing and employing America for a brighter economic future (Elevando-se acima da tempestade futura: energizando e empregando a América para um futuro econômico mais favorável) na outra.

Gathering storm foi o excelente relatório de 2005 produzido pelas nossas Academias Nacionais sobre como manter a América competitiva, melhorando muito o ensino de matemática e ciências, investindo em pesquisa de longo prazo, recrutando os melhores estudantes do exterior e tornando as leis dos Estados Unidos as mais favoráveis à inovação no mundo.

Veja, mesmo antes da atual crise financeira, já estávamos em um profundo buraco competitivo - um longo período no qual pessoas demais estavam fazendo dinheiro de dinheiro, ou dinheiro através de giro imobiliário ou de hambúrgueres, e pouquíssimas pessoas estavam fazendo dinheiro através da produção de coisas novas, com habilidades de ciência, matemática, biologia e engenharia adquiridas com suor.

A crise financeira apenas tornou o buraco mais profundo; é por isso que nosso incentivo precisa ser grande, forte e estimulante, tanto no âmbito financeiro quanto no da educação. Precisa ser capaz de produzir não apenas mais empregos e trabalhadores prontos para trabalhos braçais, como também mais empregos prontos para o Google e trabalhadores prontos para o Windows e para o conhecimento.

Se gastarmos US$1 trilhão em um incentivo e apenas conseguirmos pontes e estradas melhores - e não um novo Google, uma nova Apple, Intel ou Microsoft - seus filhos agradecerão a você por tornar muito mais fácil para eles a transição para uma agência de empregos ou para empregos medíocres.

Barack Obama entende isso, mas não tenho certeza se o Congresso entende. "Sim", Obama disse na quinta-feira, "colocaremos pessoas para trabalhar e consertar as estradas, pontes e escolas que estão caindo aos pedaços através da eliminação do acúmulo de projetos de infra-estrutura necessários, válidos e bem planejados. Mas também faremos mais para adequar a América a uma economia global". É claro que isso significa mais redes elétricas inteligentes e estradas de banda larga, acrescentou, mas também "significa investir na ciência, pesquisa e tecnologia, que levarão a novos avanços na medicina, novas descobertas e novos setores inteiros".

Mas projetos de tecnologia limpa, como redes inteligentes e banda larga, levam bastante tempo para serem implementados. Conseguiremos estimular tanto nossa economia quanto nosso povo a tempo? Talvez, ao invés de apenas dar a todos US$1.500 para ir até o shopping comprar TVs de tela plana importadas da China, ou criar aqueles tão importantes empregos de colarinho verde (profissionais do meio ambiente) para trabalhadores pouco qualificados - colocar as pessoas para instalar painéis solares e fazer isolamento de casas - deveríamos também dar US$5.000 àqueles que são academicamente elegíveis e que desejam, para voltarem à escola. As universidades hoje são os maiores empregadores em muitos distritos congressionais e todas estão tendo que diminuir seus quadros.

Minha esposa ensina em uma escola pública em Montgomery County, Maryland, onde cada vez mais professores não conseguem bancar a compra de casas perto das escolas onde ensinam, e agora têm que encarar deslocamentos longos e sujos, de bairros distantes. Uma das jogadas mais espertas de incentivo que poderíamos fazer seria eliminar os impostos de renda federais para todos os professores de escolas públicas, para que mais pessoas talentosas escolham essas carreiras. Também poderíamos dobrar os salários de todos os professores altamente qualificados de matemática e ciências, grampear vistos permanentes nos diplomas de estudantes estrangeiros que se formassem, em qualquer universidade norte-americana, em matemática ou ciências - ao invés de subsidiar seus estudos e então enviá-los para casa - e oferecer bolsas de estudo integrais para estudantes necessitados que queiram ir para uma universidade pública ou faculdade comunitária pelos próximos quatro anos.

JFK nos levou à Lua. Deixem BHO levar a América de volta à sala de aula. Mas isso levará tempo. Simplesmente não há atalhos para um incentivo que estimule mentes e não apenas salários. "Você pode resgatar um banco; você não pode resgatar uma geração¿, diz o grande inventor norte-americano Dean Kamen, que projetou de tudo, do Segway a membros artificiais. "Você pode imprimir dinheiro, mas não pode imprimir conhecimento. Ele leva 12 anos".

Claro, gastaremos algum dinheiro para fazer tudo isso. O mesmo vai acontecer com as pontes. Mas uma ponte é só uma ponte. Uma vez que está de pé, para de estimular. Um estudante que normalmente não estaria interessado em ciências pode ser estimulado por um professor melhor ou por passar mais tempo no laboratório; da mesma forma, um cientista que ganha financiamento para uma nova pesquisa pode ser o próximo Steve Jobs ou Bill Gates em potencial. Eles podem criar bons empregos por anos. Talvez mais pontes possam nos tirar de uma depressão, mas apenas mais Bills e Steves podem nos trazer prosperidade.


Fonte: Terra Magazine › Mundo
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3442998-EI6580,00-Reducao+em+impostos+para+professores.html


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